a abstinência do antidepressivo.

Uma das primeiras providências que tomei quando me declarei desejante-oficial-rumo-a-virar-tentante foi decidir que precisava largar o antidepressivo. eu fazia uso de 20mg de Citalopram há 3 anos. PORQUE: depressão cíclica de grau leve. Quando comecei a pesquisar aqui e ali, vi que a maior parte das gestantes abandonam o remédio por riscos de má formação do tubo neural do feto, principalmente nos 3 primeiros meses – justo quando os hormônios estão mais loucos. Se a depressão é leve ou moderada, o risco é considerado maior com o uso da droga para o bebê, do que pra mãe aguentar as pontas (acho justo). Achei que largar de uma vez na marra ia ser pior do que largar antes aos poucos (né?). E todos os médicos pegavam no meu pé pra largar, que era uma muleta, que eu precisava batalhar pela minha saúde mental, que meu problema é só ansiedade e etc. Então, vamos largar. Minha vida está numa fase bonita, alegre, equilibrada e positiva, seria o melhor momento.

Simples, fácil, lindo e limpo, né? Não.

Em fevereiro comecei a redução da dose e o começo foi caótico. Taquicardia, fraqueza, tremedeiras, descontrole emocional. Muito apoio e paciência do namorado e continuei firme. Mês passado estava com a dose reduzida em dobro, até que fui largando. Amanhã faz duas semanas sem nada.

 

E eu estou péssima. Completamente bipolar, angustiada, deprimida, com a auto-estima no pé. Comecei a dança pra substituir a academia pq atividade física ajuda, mas já tive que largar a dança por conta de uma outra coisa muito boa que aconteceu: comecei a lecionar à noite (assunto pra outro post). Estou sem tempo nenhum, jornada dupla de trabalho, consigo manter o ritmo e cumprir minhas obrigações e se eu não contar ninguém desconfia, porque minha cara de paisagem é ótima, mas eu me sinto péssima todo o tempo. Parece que tem um buraco negro me engolindo.

 

Dia 16 eu tenho GO. Vou testar um GO novo (pq o meu vive sem tempo demais, sem condições), pra fazer os exames que precisar, começar ácido fólico, ver se tem algum problema pra resolver e etc. Vou conversar sobre isso com ele, claro, se bem que agora voltar os remédios daria até trabalho por conta dos efeitos colaterais. Mas hoje hoje hoje, a sensação que eu tenho é que não vou aguentar. Não estou conseguindo preparar minhas aulas, estou sobrecarregando meu relacionamento, tenho vontade de chorar o tempo todo e ainda estou passando mega mal (vômitos e diarréia) desde sexta, acho que é meu emocional me trollando. e eu não conheço nenhuma gestante/treinante com quem eu possa conversar sobre isso. Tive vontade de desabafar no grupo no FB, mas estou começando a ficar com medo que alguém me lembre que sou uma mera desejante e que devia sossegar o facho e não ficar dando trabalho.

 

Enfim, é isso. A dona do Desejo de bebê está absolutamente em crise num dos primeiros obstáculos em busca da maternidade.

 

Matéria recente sobre o assunto: Uso de antidepressivos na gravidez pode trazer riscos

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8 comentários sobre “a abstinência do antidepressivo.

  1. D. tenso esse lance de antidepressivos.
    Eu não entendo absolutamente nada disso, mas eu sempre acho que desabafar ajuda e achei muito legal vc pensar nisso já e não só depois que o bebê já estiver na barriga.
    Vc faz terapia? Diz que ajuda muito.
    Atividade física idem, tu não consegue nem aos fins de semana dar uma espairecida?
    Fique bem e se precisar, conversar conte comigo 😉 Sei que nem nos conhecemos e isso talvez seja uma vantagem *hauahauhau*
    Beijinhos

  2. Olá!
    Reforço a pergunta acima: você faz terapia? Nem para você responder, mas para pensar e refletir mesmo caso você não faça.
    Minha melhor amiga estuda psicologia, e amo muito esse meio. Acredito de verdade que todas as pessoas deveriam, em algum momento de suas vidas fazer terapia, pois é algo que nos trabalha de uma forma única. Além disso, a gestação nos traz um mundo inteiro de sentimentos que muitas vezes podem ser difíceis de lidar, tudo isso pode ser muito mais leve com o auxílio da terapia. Acredito que a busca por um GO humanizado que vai te tratar além de uma “carregadora de feto” pode auxiliar muito no processo, pois ele vai te entender e conversar sobre cada ponto da sua vida.
    Eu já tive momentos muito complicados, e muitas coisas me fortalecem demais como a meditação, espiritualidade, ioga. E são coisas que não dependem de tempo, conheço quem medite no ônibus, ou mesmo 10 min a noite ou pela manhã fazem muita diferença. Às vezes é uma questão de administração do tempo que temos e avaliação de onde está o nosso tempo.
    No que precisar, conte com a gente!
    Bjinhos

  3. Minha linda eu acho que vc está no caminho certo, mesmo com todas as dificuldades de ter que parar de usar a medicação, pois se vc quer ser mãe, não teria como conciliar as duas coisas. As meninas acimas perguntaram sobre a terapia e se vc não faz acho legal buscar isso como opção, tenho amigas que são psicólogas e outras que fazem terapia e todas são unanimes em dizer o quanto faz bem, não só para quem tem um problema especifico, mas pra todo mundo que está em conflito com sigo mesma. Mas vir aqui e falar tudo isso abertamente, tudo que está sentindo já foi um ato de coragem… Esse espaço é seu então usa e abusa, se precisar desabafar, conversar mais abertamente ficaria feliz em poder te ajudar. Meu e-mail é marcondes.del@gmail.com.
    Bjokas

    http://elomaterno.blogspot.com.br

  4. Olá!
    Não foram os mesmos obstáculos mas percorremos o mesmo caminho. Acredito eu, que a busca da maternidade faz com que a gente dê um mergulho em nós mesmas, talvez porque queremos além de ser mães, ser pessoas melhores! E isso inclui revirar a vida, tentar uma outra maneira, ter bons hábitos e porque não deixar de tomar um remédio?
    Espero que sua força seja tamanha a ponto que haja a superaçao que precisa!
    Rsss e vou endossar o coro das meninas, puxar uma sardinha pra minha área, e sugerir acompanhamento em terapia. Eu tb faço!!!!
    um beijo

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