O puerpério.

Eu me preparei para o puerpério como quem se prepara pra guerra. Li muito, tanto livros como blogs que falavam sobre o lado B da maternidade. Marquei psiquiatra para 15 dias após o parto, já esperando que ia estar muito louca e precisando voltar pros meus remédios (que acabei ficando sem na maior facilidade durante a gravidez toda), ainda mais por tudo que aconteceu na gravidez. Tive muito, muito medo. Esperei o baby blues, a depressão pós parto…e ela não veio. Ê TODAS COMEMORA o/

Qdo tivemos alta do parto do Isaac, questionamos a pediatra que achamos Isaac meio amarelinho. A filha da puta, com o coombs indireto positivo em mãos, disse que não – mas insistiu muito pra que vissemos outro pediatra ainda aquela semana. Logo, dois dias depois de sairmos do hospital com Isaac, internamos novamente em outro hospital pra que ele fizesse banho de luz devido à icterícia. Minha raiva da médica é que, isso foi um processo muito desgastante, que poderia ter sido evitado, fazendo o banho de luz ainda na maternidade. Lá se foi por água abaixo o começo do meu ‘resguardo’.

Pq nem D nem minha mãe pareciam levar a sério ou entender a gravidade de facilitar um minuto e deixar Isaac tirar o óculos de proteção. Eles simplesmente dormiam como se nada estivesse acontecendo. Fiquei paranóica com isso e não consegui dormir e/ou descansar um minuto durante as ~36h que ele esteve internado. E, acho que ali nasceu minha força.

Eu inchei terrivelmente, fiquei deformada, não senti meu pé direito durante vários dias (confesso que tive medo de dar algum problema). Tive uma alergia horrorosa ao absorvente. Sentia muita dor. Queria ir pra casa, queria meu pequeno em casa, dar banho, cheirar. Andava pelo corredor de madrugada quando todo mundo dormia, e só eu e uma outra mãe com bebê chorando estavam acordadas naquele hospital todo escuro. Foi horrível. Daí eu virei uma leoa. 

E nos dias seguintes abracei minha cria com todo carinho e cuidado e não senti baby blues. Uma coisa MUITO importante teve total influência nisso: eu tive muito apoio, uma ‘base’ que foi fundamental. Apoio incondicional de D, com o bebê, o dia a dia, a amamentação, minha recuperação. E apoio incondicional da minha mãe, que cuidou da casa, da minha alimentação, de roupa, limpeza, etc. Eles formaram um ‘tripé’ de cuidados que foi tudo pra mim. Então eu não tive preocupações. Eu tive exatamente o que eu desejava: todo o tempo livre pra cuidar do meu bebê, curtir e conhecer ele com calma.

Em momento algum eu tive insegurança, senti que não soubesse o que fazer em relação a algum cuidado com Isaac. Eu nunca cheguei a chorar no banho, sentir tristeza, vontade de fugir, ou etc. Tive o cansaço dos primeiros dias, normal, mas reagi muito melhor do que o esperado – e ouvi isso de muita gente, o que me enche de orgulho.rs A maternidade aqui chegou e se alojou de forma muito natural. Não houve medo, despreparo, solidão…o ‘novo mundo’ da minha vida chegou com uma delicadeza deliciosa e me mostrou que minha paixão de ser mãe fazia parte de um plano muito maior e eu estava preparada. Só mesmo Deus sabe o quanto sou grata por ter reagido tão bem.

Aí eu desmarquei o psiquiatra. E não voltei pros meus remédios. E não senti falta. O mérito tb é de Isaac. O bebê mais lindo e dócil que conheço, mesmo nas madrugadas, o que com certeza também ajudou nessa vitória. 🙂

[foto do newborn]

[foto do newborn]

Eu, hipertensa, grávida.

O resultado do estresse da semana passada foi catastrófico. Após a semana atribulada, nervosa e tal, limpei casa, lavei banheiro, normal, no sábado. Na madrugada capotei: uma dor na lombar e um estado de nervos que me fez chorar. Acabei brigando com D., chorei horrores, dormi quase 4h da manhã e no domingo estava ainda toda zambeta e muito cansada. Descansar nada, né: encontrei com uma amiga pra discutir os afazeres para o chá. Nesse auê, a pressão deu uma subidinha, foi a 14/10, mas tudo bem – avisei o GO por whazzap, fui orientada do que fazer e passou. Na segunda feira, piorei. Fui trabalhar mas antes das 9h disparei a vomitar. Nada parava. Acabei voltando pra casa, dormindo muito, ganhei 2 dias de atestado pra ficar em casa e, aí dormi, descansei, e voltei a ativa. Mas descansar mesmo vim descansar agora, no fds: com 26 semanas, lenta e pesadinha, agora tenho a companhia da minha mãe pra faxinar a casa comigo, então finalmente consegui descansar um pouco.

Fica a dica: não adianta fingir ser a Mulher Maravilha. Grávidas cansam. É preciso ter limites e respeitá-los.

Aí lembrei que não contei como vai minha vida de hipertensa.

Sou hipertensa crônica, sem causas físicas (já me viraram de ponta cabeça), apenas emocional. Qdo descobri, há 3 anos atrás, fui parar no hospital achando que estava com alguma frescura e na verdade estava com a pressão 18/10. Passei mal várias vezes, fiz milhares de exames, e cuidava mas era relapsa: esquecia de tomar remédio, nunca deixei de beber (sou MUITO festeira), tomar porres ou comer o que queria por isso. Com o tempo cheguei às mãos do melhor cardiologista da região (beijos, Unimed, te amo) que me via a cada 6 meses ou 1 ano se estivesse tudo ok.

Logo que engravidei, já ficamos de orelha em pé por causa da pressão, né. Meu médico me receitou com Metildopa 250mg 2x por dia e fomos levando, mas lá antes das 15 semanas minha pressão foi a 13/9 átoa. Resultado: fui encaminhada pro cardio, que agora me vê todo-santo-mês. Faço vários exames no consultório mesmo e etc. Na primeira consulta descobrimos que parte do meu cansaço era resultado de um coração acelerado mesmo em repouso.  Entramos com uma medicação extra (Concor 5mg, caríssimo!). Um mês depois, reclamei que eu andava dormindo em pé e ficando tonta até de olhar pra minha barriga: pressão tava baixa demais, aff. Reduzimos e ficamos com uma dose de Concor e uma de metildopa.

Essa semana tive cardio e, surpresa, a pressão está ótima, estacionada em 12/8. Mas o médico me achou deprimida. Eu realmente ando muito, muito irritada e chorona. Preocupações com grana, o cansaço da rotina, a recém vida a dois, a sobrecarga de trabalho…não ando muito legal mesmo. Mas nem por um momento lembrei que pudesse estar deprimida. Aí ele me contou que a metildopa tem uma tendência a causar depressão, mas que não me contou pra não me deixar sugestionada, já que já estou sem meus remédios. E: dormir mais e melhor e ficar firme, que já já Isaac está aí e se precisar podemos intervir.

Tenso, né, minha gente?

Espero ter uma semana melhor agora com a chegada de junho, e enquanto isso vida segue: Isaac faz feeeeestas na minha barriga! Amor maior do mundo meu filhote!

a abstinência do antidepressivo.

Uma das primeiras providências que tomei quando me declarei desejante-oficial-rumo-a-virar-tentante foi decidir que precisava largar o antidepressivo. eu fazia uso de 20mg de Citalopram há 3 anos. PORQUE: depressão cíclica de grau leve. Quando comecei a pesquisar aqui e ali, vi que a maior parte das gestantes abandonam o remédio por riscos de má formação do tubo neural do feto, principalmente nos 3 primeiros meses – justo quando os hormônios estão mais loucos. Se a depressão é leve ou moderada, o risco é considerado maior com o uso da droga para o bebê, do que pra mãe aguentar as pontas (acho justo). Achei que largar de uma vez na marra ia ser pior do que largar antes aos poucos (né?). E todos os médicos pegavam no meu pé pra largar, que era uma muleta, que eu precisava batalhar pela minha saúde mental, que meu problema é só ansiedade e etc. Então, vamos largar. Minha vida está numa fase bonita, alegre, equilibrada e positiva, seria o melhor momento.

Simples, fácil, lindo e limpo, né? Não.

Em fevereiro comecei a redução da dose e o começo foi caótico. Taquicardia, fraqueza, tremedeiras, descontrole emocional. Muito apoio e paciência do namorado e continuei firme. Mês passado estava com a dose reduzida em dobro, até que fui largando. Amanhã faz duas semanas sem nada.

 

E eu estou péssima. Completamente bipolar, angustiada, deprimida, com a auto-estima no pé. Comecei a dança pra substituir a academia pq atividade física ajuda, mas já tive que largar a dança por conta de uma outra coisa muito boa que aconteceu: comecei a lecionar à noite (assunto pra outro post). Estou sem tempo nenhum, jornada dupla de trabalho, consigo manter o ritmo e cumprir minhas obrigações e se eu não contar ninguém desconfia, porque minha cara de paisagem é ótima, mas eu me sinto péssima todo o tempo. Parece que tem um buraco negro me engolindo.

 

Dia 16 eu tenho GO. Vou testar um GO novo (pq o meu vive sem tempo demais, sem condições), pra fazer os exames que precisar, começar ácido fólico, ver se tem algum problema pra resolver e etc. Vou conversar sobre isso com ele, claro, se bem que agora voltar os remédios daria até trabalho por conta dos efeitos colaterais. Mas hoje hoje hoje, a sensação que eu tenho é que não vou aguentar. Não estou conseguindo preparar minhas aulas, estou sobrecarregando meu relacionamento, tenho vontade de chorar o tempo todo e ainda estou passando mega mal (vômitos e diarréia) desde sexta, acho que é meu emocional me trollando. e eu não conheço nenhuma gestante/treinante com quem eu possa conversar sobre isso. Tive vontade de desabafar no grupo no FB, mas estou começando a ficar com medo que alguém me lembre que sou uma mera desejante e que devia sossegar o facho e não ficar dando trabalho.

 

Enfim, é isso. A dona do Desejo de bebê está absolutamente em crise num dos primeiros obstáculos em busca da maternidade.

 

Matéria recente sobre o assunto: Uso de antidepressivos na gravidez pode trazer riscos